Ser mãe é…

Ser mãe é muitas coisas. Cada pessoa vive a maternidade de um jeito, mas acredito que posso afirmar que: ser mãe é estar em constante julgamento. E eles começam cedo, antes mesmo de engravidar.

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Começam quando em algum momento um amigo ou familiar tem a convicção de que ainda não é o momento de você ter filhos, porque acabou de casar, ou acabou de perder o emprego, ou acabou de entrar em um emprego, ou porque seu marido acabou de virar frila, ou porque está esperando por uma promoção que nunca veio e que por estar grávida nunca virá…

E eles continuam depois que você engravida, porque decide que só vai contar sobre a gravidez depois dos três meses, ou porque come sem parar (só quem é mãe sabe a fome que a gente sente), ou porque decidiu ficar mais reclusa em casa, ou porque optou por fazer cesárea (eu fui julgada por um médico por causa disso e no meu caso eu NÃO podia ter filho de parto normal!) ou preferiu o parto normal humanizado em casa. Também é julgada se decide não saber o sexo da criança e até pelo nome que escolheu!!!

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Mas calma, que os julgamentos não terminam quando os filhos nascem. Pelo contrário, eles só aumentam. É cada olhada torta porque você decide parar de trabalhar ou porque decide manter o ritmo de trabalho. Porque precisou complementar as mamadas com fórmula (aparentemente só as mães de gêmeos saem ilesas nessa e também nos partos cesáreas), porque colocou o filho na escola com 4 meses ou porque escolheu esperar a escolarização até os 3 ou 5 anos, porque preferiu ter uma babá ou porque aceitou a ajuda dos avós.

Ah, e também tem os julgamentos clássicos de quando os filhos fazem birras no meio da rua, no meio do shopping, no meio do restaurante, na sala de espera do médico, isso porque qual for a sua reação os outros olham feio: se você grita, se você bate, se você ignora… Mais uma vez, só quem não tem filho não entende que algumas birras não são falta de educação – e aqui segue uma mea culpa, eu mesma já julguei muitos pais por esses momentos de gritos do filho alheio, peço desculpas ao universo por isso.

É isso, ser mãe é ser julgada o tempo todo e isso cansa. Outro dia parei para pensar o quanto em muitos momentos eu me sinto solitária por ser mãe e acredito que isso ocorre porque muitas vezes eu tenho receio de sair de casa com os meus filhos por medo do julgamento das pessoas.

E por tudo isso, todo esse cansaço, toda essa indignação e até toda a raiva que muito vezes me dá, que segue a minha proposta: e se ao invés de olhar torto para a próxima vez que você vir uma mãe na rua com o seu filho, você estender a mão e oferecer ajuda? Uma conversa ou até um abraço?

Como disse uma amiga outro dia sobre a maternidade: “Há quem diga que maternidade é algo como essa ideia: “O mais bonito ato de fé é aquele feito em total escuridão, em meio a grande sacrifício, e com extremo esforço.” (Padre Pio de Pietrelcina). E aí tem aquele provérbio africano que diz que “é preciso uma aldeia inteira pra educar uma criança”. Em qual das duas citações você prefere se apegar?

Eu prefiro a segunda! Vamos nessa?

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O post definitivo sobre gêmeos ou por que qualquer pessoa pode ser mãe de dois

 

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Fonte: giphy.com

“Você ou o seu marido têm gêmeos na sua família?”. Essa talvez tenha sido a pergunta que eu mais ouvi nos últimos dois anos e meio, desde o dia que descobri que seria mãe de dois. Pode parecer irritante ter que responder essa questão para toda pessoa que descobre – ok, a maioria das pessoas sou eu mesma que conto – que sou mãe de gêmeos. Mas, para falar a verdade, eu adoro falar sobre isso.

Quando engravidei, a possibilidade de ter uma gestação gemelar não me era uma preocupação. No alto do meu conhecimento sobre gêmeos, entendia – pelo que lembrava do que aprendi na escola – que esse tipo de gestação era genética e uma não existindo nenhum caso desse na minha família, eu estava “segura”.  Por isso, quando descobri que seria mãe de gêmeos, eu surtei, como vocês podem ler no meu relato.

Passado o susto, foi o momento de me informar. Como era possível estar grávida de gêmeos? O que queria dizer o fato de eles serem idênticos? O que significa a sigla mono/mono? Eram tantas as minhas dúvidas – e a de todas as pessoas que conversam comigo sobre isso –, que achei interessante escrever sobre o tema. Sei que é bem prepotente chamar de definitivo esse post, até porque a própria ciência ainda está engatinhando no que diz respeito à gravidez de gêmeos, ainda mais os idênticos, mas segue todas as informações que juntei nesses quase três anos lendo e ouvindo sobre o tema.

Os tipos de gravidez gemelar

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Fonte: giphy.com

Existem dois tipos de gestações de gêmeos: a bivitelina e a univitelina, que pode gerar três tipos diferentes de gestações, a dicoriônica e diamniótica, a monocoriônica e diamniótica e a monocoriônica e monoamniótica.

A gestação bivitelina é aquela que forma os gêmeos fraternos, ou diferentes. Ela ocorre quando dois óvulos são fecundados, formando assim dois embriões totalmente distintos. Esse é o tipo de gestação dita genética. O fator genético é a questão de a mulher liberar mais de um óvulo enquanto está ovulando. Antigamente acreditava-se que essa característica era apenas passada de mães para filhas. Mas, recentemente essa teoria foi desmistificada, como mostra o livro “Gêmeos e Múltiplos. Tudo o que os Pais Precisam Saber”, da editora Manole e escrito pelos pediatras  Renata Dejtiar Waksman e Cláudio Schvartsman. De acordo com a publicação, a característica genética pode ser passada por ambos os pais para as suas filhas.

Sim, filhas! Lembre-se, o gene tem que ser ativo na mulher, afinal é ela quem ovula.

Esse tipo de gestação é a mais frequente, principalmente por conta dos tratamentos hormonais ou das inseminações artificiais. Ainda de acordo com o livro de Waksman e de Schvartsman, por conta dos tratamentos de fertilização, a ocorrência da gestação bivitelina é de 30 partos desse tipo para cada mil.

A gestação univitelina, aquela que forma gêmeos idênticos, ocorre quando um óvulo é fecundado, mas durante a divisão celular, as células se dividem de tal forma que acabam gerando dois embriões. E, pasmem, esse tipo de gestão é totalmente ao acaso, ou seja, qualquer pessoa (como eu) pode ter.

Esse tipo de gestação pode ocorrer de três formas distintas e o que vai definir isso é o tempo da divisão celular:

– duas placentas e duas bolsas (dicoriônica e diamniótica): assim como nos gêmeos fraternos, os gêmeos idênticos também podem se formar a partir de duas placentas e duas bolsas. Esse tipo de gestação ocorre logo no início da divisão celular do embrião. São casos mais raros, mas eles existem.

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Fonte: Wikipedia

“Nossa, mas então como saber se os gêmeos serão idênticos ou não?”. Se os bebês tiverem o mesmo sexo, só será possível saber com certeza no nascimento, em eles sendo muito diferentes, mas para ter 100% de certeza, só fazendo um exame de DNA mesmo.

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Fonte: Wikipedia

– uma placenta e duas bolsas (monocoriônica e diamniótica): esse é o tipo de gestação mais comum entre os gêmeos univitelinos, mais de 70% dos casos de gêmeos idênticos são deste tipo. Nesta gestação, a divisão embrionária ocorre entre o 4º e 8º dia após a fertilização.

– uma placenta e uma bolsa (monocoriônica e monoamniótica): nesta condição de gestação, os bebês se desenvolvem totalmente no mesmo ambiente. É um caso bem raro. Apenas 1% dos gêmeos idênticos é formado dessa forma.

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Fonte: Wikipedia

A gestação mono/mono acontece quando a divisão embrionária ocorre depois do 8º dia. Nela há um risco bem alto de os cordões umbilicais dos bebês se entrelacem, formando um nó que, se muito apertado, interrompe os suprimentos dos fetos. Não à toa, a indicação para essas gestações é que sejam interrompidas entre 32 e 33 semanas, quando o risco deste entrelaçamento é aumentado.

Gêmeos siameses
Também gerados em uma mesma placenta e mesma bolsa, a ocorrência de gêmeos conjugados, ou siameses (referência ao local de nascimento, Sião – atual Tailândia –, dos gêmeos conjugados mais famosos da história moderna), está ligada ao momento da divisão celular do embrião.

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Fonte: Wikipedia

Para ocorrer uma separaçãoembrionária adequada, ela deve ocorrer entre o 3º e o 13º dia de fertilização. No caso dos gêmeos siameses, essa separação é mais tardia, acontecendo entre o 15º e o 17º dia depois da fertilização.

Fonte: “Gêmeos e Múltiplos. Tudo o que os Pais Precisam Saber”, da editora Manole e escrito pelos pediatras  Renata Dejtiar Waksman e Cláudio Schvartsman

Meu marido não ajuda. Ele faz!

Em 10 de janeiro de 2015 eu nascia como mãe e ali, logo ao meu lado, Bernardo Borges nascia como pai. E que pai!

Be e bbs

Be e os bebês (arquivo pessoal)

A decisão de ter filhos foi tomada totalmente em conjunto e logo o Bernardo se propôs a mudar de vida. Decidiu virar freelance, trabalhando de casa, para poder ter mais tempo ao lado dos futuros rebentos (o que se estendeu a um maior tempo ao meu lado também. Ele esteve comigo em cada ultrassom – e olha que não foram poucos – e consulta pré-natal). Mas não foi só a vida profissional que ele quis mudar. Assim que eu engravidei, passamos a consumir produtos orgânicos – e tentamos seguir essa dieta até hoje, principalmente ao fazer a comida dos meninos – e a ideia de ter uma vida mais calma e perto da natureza permeia quase que diariamente os nossos papos.

Toda essa dedicação pré-filhos se seguiu no pós-parto e nos meses depois. O Be se manteve ao meu lado – e ao lado dos meninos – todos os dias de hospital. Depois, já em casa, ele acordava junto comigo em toda mamada da madrugada e fazia questão de participar dos banhos e das constantes trocas de fralda.

A participação do Be foi determinante nos momentos decisivos da vida de Pedro e Gabriel até hoje. Quando decidimos tirar a chupeta dos meninos, lá pelos 7 meses de idade deles – e o meu primeiro de volta ao trabalho –, a sua calma e determinação foram condicionais para o sucesso da decisão.

Já na fase da introdução alimentar, não vou negar, o BLW (método que consiste em oferecer a comida em pedaços e permite que o bebê se sirva sozinho) só funcionou porque o Bernardo sabia que tudo daria certo, era só uma questão de tempo para eles passarem a comer de tudo numa boa, porque eu mesma não tinha a mesma paciência diante de tamanha sujeira e bagunça.

A minha ideia aqui nesse texto não é apenas homenagear o meu marido nesse dia dos pais. A ideia é aproveitar esse dia para levantar uma discussão: a de que pai não deve ajudar, ele deve fazer! Claro que cada um sabe o tempo que tem. No meu caso, por exemplo, tenho a sorte de o Bernardo ser bastante disponível para os meninos – até mais do que eu durante a semana.

Quando me perguntam se o meu marido ajuda com as tarefas de casa e com os meninos, eu digo que não. Ele não me ajuda, porque, para mim, ajudar pressupõe que o que a pessoa está fazendo não é uma função dela e sim função do outro e o que ele faz é apenas “dar uma mão” na tarefa obrigatória do outro. Por isso, eu digo que não, ele não me ajuda. Ele faz!

Pedro e Gabriel não são só MEUS filhos, são NOSSOS filhos e a educação e formação deles depende de nós dois. Claro que há momentos que os meninos querem estar mais grudados em mim, talvez por eu passar mais tempo fora ou por eles estarem numa fase de querer muito o colo materno, mas isso não impede do Bernardo preparar a janta, aprumar o banho e estar junto na hora de coloca-los na cama.

Sei que cada família tem o seu modelo e que cada um sabe o que é melhor para si. Mas, acredito que há padrões culturais que devem ser quebrados para uma melhor evolução humana e percebo que existem cada vez mais pais querendo desconstruir o modelo de paternidade que está só presente na hora de jogar bola. Para esses pais, parabéns pela mudança de hábito, vocês são foda!

PS: Esse meu relato conta um pouco de como é a relação do Bernardo com os nossos filhos. Para saber mais, ouvir as experiências de outros pais e até compartilhar as suas, participem do Papo de Pai.

O medo de ser mãe de gêmeos

eu e os pequenops

(arquivo pessoal)

Na primeira noite dos meninos em casa, depois de 51 dias de hospital, eu chorei. Não chorei de felicidade. Não chorei de alívio. Não chorei de emoção. Eu chorei de medo! E esse medo se seguiu pelos dois meses seguintes, pelo menos é como eu me lembro.

Não é exagero. Mesmo recebendo a ajuda em tempo integral da minha mãe e a parceria incondicional do meu marido, me sentia totalmente sozinha e tinha certeza absoluta que não ia dar conta da minha nova vida. Fui tomada por um sentimento de impotência muito grande e isso era assustador.

Evitava as visitas. Quando me ligavam querendo conhecer os meninos, me sentia ansiosa. Fazia de tudo para que esses encontros não acontecessem. Suava frio quando estava perto da hora da visita chegar e comemorava, em silêncio, quando desmarcavam. Mesmo os amigos mais íntimos me deixavam em pânico (peço, inclusive, desculpas se me fiz distante).

Uma vez com os amigos em casa, não queria que fossem embora. Cada vez que a porta se fechava, depois dos abraços de despedida, o meu coração se enchia de solidão e mais uma vez, eu chorava.

Por dois meses, vivi um terror constante. Um misto de alegria por ser mãe, por ter Pedro e Gabriel em casa, pela realização do sonho de ter filho, se misturava com esse sentimento de impotência, com a certeza que não daria conta de criar dois bebês. “Por que isso foi acontecer? Eu nunca quis ter gêmeos, por que comigo?”, eu pensava todos os dias.

Mas o que é isso? Por que eu passei por esses questionamentos e medos, mesmo tendo certeza do que queria e de ter tido uma gravidez planejada?

Antes de ter filhos, eu pensava que o puerpério – nome dado à fase pós-parto, em que a mulher passa por modificações físicas e psíquicas – acontecia apenas no período imediatamente seguinte ao parto. Como passei esses primeiros dias acompanhando o desenvolvimento dos meninos no hospital, não imaginei que viveria o puerpério de verdade.

A bem verdade, se seguirmos ao pé da letra o que a medicina define como o puerpério, ele começa logo após o parto e se segue por até 6 semanas, ou 42 dias, para ser mais exata, quando a mulher retorna a sua função ovulatória, ou seja, reprodutiva. Nesse período, o corpo da mulher passa por diversas modificações físicas e as grandes oscilações hormonais também fazem com que a mulher passe por fortes questões emocionais. Não à toa, é comum ver as novas mães chorando pelos cantos, se sentindo tristes e melancólicas.

Hoje, entretanto, consigo perceber que as coisas não funcionam exatamente como estão nos livros – e isso não vale apenas para os contos de fada. Enquanto tentamos nos enquadrar nos diagnósticos apresentados pela literatura médica – e pelo Google também –, acabamos deixando de lado o que realmente estamos sentido, e no fim é isso o que importa, certo?

No meu caso, acho que posso dizer que o puerpério veio bem depois dos 42 dias estipulados pela rigidez da medicina. Claro que meu corpo viveu todas as mudanças físicas do período, mas a parte emocional teve que ser ignorada um pouco para dar lugar a rotina da UTI neo-natal.  Só fui processar tudo o que tinha passado até ali – uma gestação de risco, filhos prematuros, 51 dias de hospital –, quando finalmente levei os meninos para casa. E o que deveria ser um momento de felicidade extrema, se tornou em noites de medo e muita reflexão.

Não foram dias fáceis. Repensar a vontade de ser mãe e se questionar se aquilo realmente tinha sido certo, era terrível. Mas, passou – às vezes volta, mas é passageiro! Conversar com meu marido, minha mãe e amigos foi essencial. Poder me abrir e entender que aquele sentimento era normal, foi fundamental para conseguir superar tudo.

Com tudo isso, ficou bem claro para mim como é importante que cada pessoa consiga se ver como um ser único, um indivíduo. Não somos mães e pronto. Não somos todas farinha do mesmo saco, como as peças publicitárias querem mostrar ou como os ditos populares insistem pregar por aí. Nós somos únicas. Podemos trocar ensinamentos, e considero essencial isso, mas é fundamental entender que cada uma de nós terá a sua própria experiência. Que esse momento do pós-parto será sentido diferente por cada nova mãe que nasce junto com o seu filho.

Quer ler mais sobre isso. Vejam alguns textos sobre o puerpério e relatos de mães que quiseram falar sobre isso:

Precisamos falar sobre o puerpério

O que é puerpério?

Tudo sobre depressão pós-parto e baby blues

 

Idênticos sim. Iguais? Nem tanto!

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Gabriel e Pedro iguais e ao mesmo tempo diferentes (fonte: arquivo pessoal)

Pedro e Gabriel são gêmeos idênticos. Por definição eles carregam o mesmo código genético — ou seja, o mesmo DNA. No imaginário popular, é comum pensar que por eles serem idênticos devessem ter o mesmo comportamento e/ou o mesmo desenvolvimento motor e intelectual.

É certo que uma das perguntas que mais me fazem (depois do costumeiro “são idênticos?”, seguido diretamente do “são dois meninos ou um menino e uma menina?”) é se eles se comportam da mesma maneira. A resposta é: não! O intenso convívio me permite ter surpresas diárias com tamanha diferença que existe entre os dois.

Acompanhar e participar ativamente do crescimento dessas duas pessoinhas geneticamente idênticas é uma aula diária de como o meio parece ser determinante para o desenvolvimento de alguém.

Calma, eu não nego de jeito nenhum a biologia e suas teorias evolutivas, que apontam que muitos de nossos comportamentos são inerentes a nós. Concordo que os genes não definiram apenas a cor dos olhos dos meus filhos – aliás, que combinação genética, senhores, afinal eles têm olhos cinzas! Se não, como explicar o olhar de malandro pidão do Pedro ser exatamente como o meu, como diz meu sogro…

Mas é inegável que o meio influencia diretamente o nosso comportamento. Afinal, como  explicar que mesmo tendo os mesmos pais, comendo as refeições no mesmo horário, tendo a mesma babá, os mesmos avós, dormindo no mesmo quarto e tomando banho no mesmo balde, Pedro e Gabriel sejam sim idênticos e ao mesmo tempo tão diferentes?

É que, enquanto Pedro fica tímido ao chegar numa festa e fica se entrelaçando nas minhas pernas, Gabriel sente o ambiente e logo sai andando, interagindo com estranhos. Ou então, como explicar toda a manha que o Pedro faz quando recebe uma negativa ou quando lhe tiram o brinquedo e a quase indiferença de Gabriel quando o irmão pega alguma coisa sua?

Qual a conclusão disso tudo? Não sei exatamente. Talvez a gente nunca consiga definir 100% o que define o ser humano: é só genética? É só o meio? É o meio influenciando na genética ou a genética que influencia no meio? Isso, porque como diz um amigo, muitos estudos que confirmariam o quanto a genética pode determinar o nosso comportamento não podem ser feitos, porque nossa ética não permite matar um bebê para estudar o genoma dele – ufa!

É por isso, meus amigos, que talvez, no fim das contas, mensurar o quanto a biologia ou a cultura é determinante no comportamento seja mais uma crença que tomamos para nós do que uma comprovação científica. E aí, no que você prefere acreditar?

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(fonte: giphy.com)

Link adicional: Série de fotos mostra as diferenças dos gêmeos idênticos

“Felicidade é só questão de ser”

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Dia da alta de Pedro e Gabriel. A técnica de enfermagem Tânia e a enfermeira Larissa cuidaram dos meninos durante o corredor (foto: arquivo pessoal)

Este post é uma homenagem a um dos dias mais importantes e emocionantes da minha vida: a alta da UTI Neonatal dos meninos, que hoje completou um ano.

Domingo. 1º de março de 2015. 10h da manhã. “Essa noite você deve beber uma taça de vinho e relaxar bem, ok?”. Foi a orientação do dr. Pedro.

Segunda-feira, 2 de março de 2015. 5h da manhã. Como fazíamos todos os dias, levantamos cedo. Tomamos um café rápido e saímos de casa. Usamos o caminho de sempre. Como de costume, o Bernardo me deixou na porta do hospital e foi procurar uma vaga para estacionar o carro. Eu segui para o banco de leite. Tudo parecia igual, não fosse o fato que daquele dia em diante, tudo seria totalmente diferente.

8h da manhã. Entrei na sala onde os meninos ficavam. Diferentemente do que via todos os dias, as máquinas de monitoramento estavam desligadas. Pedro e Gabriel estavam ali, sem nenhum fio preso ao seus corpos. Meio tonta, recebi dezenas de orientações de médicos e enfermeiros, todos muito felizes de estarem ali falando comigo. Eu estava quase que anestesiada, não sabia o que sentir.

Meio dia. Macacão verde para o Gabriel e azul para o Pedro. Corre para pagar a conta do hospital. Volta para dar o mamar pros meninos. Com as mãos tremendo, pega todos os exames e o relatório de alta.

1h30 da tarde. Pode dar o play. “Tem vezes que as coisas pesam mais do que a gente acha que pode aguentar”. Com Marcelo Jeneci ao fundo, andamos pelo corredor. Mães, pais, enfermeiros e médicos. Todos ali para homenagear os gêmeos. Palmas. Abraços, beijos e choro – muito choro. 51 dias depois, era hora de ir embora. Mas, desta vez não estávamos sozinhos, Pedro e Gabriel sairiam com a gente.

Era chegado o momento de viver a vida aqui fora ❤

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A enfermeira Larissa segura o Gabriel, enquanto nos preparamos para a alta da UTI (foto: arquivo pessoal)

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Foto clássica na entrada da UTI Neonatal com todos os pais e mães (foto: arquivo pessoal)

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Foto clássica na entrada da UTI Neonatal com todos os pais e mães (foto: arquivo pessoal)

 

 

 

Desafio da maternidade: por que não fiz

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(arquivo pessoal)

Essa semana começou a rolar um desafio da maternidade, em que uma mulher é desafiada a postar fotos suas com seus filhos, falar sobre a delícia de ser mãe e depois passar o desafio para frente.

Pois bem, eu fui desafiada por algumas amigas muito queridas. Confesso que fiquei com preguiça de fazer o desafio, mas depois da postagem que vi ontem em grupos de mães, desisti de vez de entrar na brincadeira. Explico:

Uma mãe resolveu fazer um protesto em meio ao desafio. Indo na contra mão da brincadeira, que mostra através de fotos e textos a beleza e delícia de ser mãe, ela falou a sua realidade. Em um texto no Facebook, ela explicou que não aceitava o desafio e relatou as dificuldades que sente com a maternidade. Comenta sobre a falta de apoio, principalmente com mães super jovens; falou de todos os seus perrengues; dos problemas com a amamentação; do cansaço; de como é complicada a dedicação excessiva… Enfim, ela disse que não gostava de ser mãe, mas que amava muito o seu filho. E propôs um novo desafio, o de falarmos sobre maternidade real.

Após o post, a internet caiu matando. O relato foi compartilhado milhares de vezes e a jovem mãe foi xingada e desrespeitada por muita gente. Eu mesma li comentários dizendo que a jovem não deveria ter tido filho, já que pensava assim. A agressividade na rede foi tamanha, que ela foi denunciada pelo Facebook e sua conta acabou deletada.

Mas, afinal de contas, essa mãe estava errada? Na minha opinião, não! O que acho que a maioria das pessoas não entendeu em seu protesto, foi que essa mulher não estava querendo desmerecer ninguém ou que preferia não ter tido filhos, como a maioria apontou. O que ela quis, foi chamar atenção para essa mistificação da maternidade e, principalmente, para o que a sociedade espera de nós, mães.

Eu amo ser mãe? Não sei. Há dias que eu detesto. Em outros eu adoro! É que na realidade eu nunca tive o sonho de ser mãe, mas sempre quis ter filhos. Isso, porque eu sei que socialmente, ser mãe é muito difícil e ainda existe muito preconceito sobre isso. É que ser mãe é ter que continuar ser a mulher de antes, mas com uma vida totalmente diferente. É ser olhada torto pelo chefe logo após a volta da licença maternidade. Ser mãe é ter propostas de emprego recusadas, mesmo você sendo a melhor pessoa para ocupar o cargo naquela empresa. É ter que sair da escola para cuidar do filho. Ser mãe é perder noites de sono enquanto o pai tem que descansar para trabalhar no dia seguinte. Ser mãe é ter febre e não poder ficar de cama. Ser mãe é ter que sair no meio do expediente para atender o filho doente. Ser mãe é ter seu corpo modificado depois do parto. Ser mãe é ver seu peito cair depois da amamentação. Ser mãe é não poder mais sair quando bem entender ou chegar mais tarde em casa. Ser mãe é não ter tempo mais para você. Ser mãe é ter que se manter firme, mesmo depois de três horas de choro do seu filho, sem nenhum motivo aparente. E, muitas vezes, ser mãe é estar sozinha no mundo.

Mas ao mesmo tempo, ser mãe é maravilhoso. É ter orgulho do seu filho. É receber o maior amor que alguém pode ter. É sentir algo dentro da gente que é inexplicável. É querer sorrir quando seu filho sorri para você, mesmo depois da pior noite da sua vida. E olhar para aquele (ou aqueles, no meu caso) serzinho lindo e sentir todo aquele cansaço ir embora.

Ser mãe é muito bom, mas é uma merda!

E sabe, acredito que temos sim que falar sobre isso. Afinal, essa é a proposta desse blog, né?!

Então, gente, da próxima vez que lerem algo como o relato sincero de uma mãe desmistificando a maternidade, antes de julgarem, olhem para si mesmas. Quantas vezes vocês não se perguntaram: “por que mesmo eu quis ter filho?”. Quantas vezes vocês se pegaram pensando se realmente fizeram a coisa certa. E quantas vezes mais tudo isso passou e ficou tudo bem depois.

É isso! Por um mundo com mais autorreflexão e menos julgamentos!

Quando uma mãe vira uma leoa

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(Giphy)

Sempre achei essa analogia de mãe leoa um tanto quanto exagerada. Pensava que ser mãe assim não era muito bom. Essa história de mãe super protetora, que coloca os filhos acima de tudo e briga por eles mesmo estando errada não parecia ser muito a minha. Até a noite de 15 de fevereiro de 2016.

Eram quase oito da noite. As coisas em casa estavam bem caóticas. Pedro e Gabriel choravam sem parar, estavam agitados e com sono. Os dois doentes há quase duas semanas seguidas, imaginem o desconforto. Para piorar, a tosse do Pedro não o deixava respirar direito. Eu correndo para arrumar as coisas e leva-lo ao médico, quando o interfone toca.

Meu marido atende, fala qualquer coisa e desliga. Vira para mim e diz: você não acredita. Acabaram de ligar da portaria para dizer que reclamaram do barulho dos bebês.

Meu sangue subiu. Não pensei duas vezes e liguei de volta.

“Boa noite. É a Mariana do 84, tudo bem?

Quem foi que interfonou reclamando do barulho dos meninos? Ah, do 10º?

Bom, da próxima vez que ligarem você pode passar um recado?

Diz que os meus filhos estão doentes há mais de duas semanas, que eu estou saindo para ir ao hospital com um deles neste minuto.

Explica que nem eu e nem o meu marido estamos felizes com essa situação e com tanto choro, mas que a pessoa quer que eu faça o quê? Que afogue um deles na banheira para ver se o choro passa?

Você me desculpe falar desse jeito, você não tem culpa, mas estou muito nervosa.”

“Claro, senhora. Não se preocupe, você tem razão.”

Desligo o interfone. Me sinto aliviada. Me sinto empoderada. A sensação de mexeu com meus filhos, mexeu comigo nunca foi tão deliciosamente provada por mim. Senti nascer nesse momento uma chama de poder e segurança nunca antes sentida.

A mãe leoa finalmente nasceu. E aviso: ela veio para ficar.

Ps: querido vizinho do 10º andar, aguarde novidades ❤

À procura da escola perfeita

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(fonte: giphy)

Quando recebi a notícia que seria mãe de gêmeos, achei que estaria preparada para receber qualquer outra notícia que fugisse do meu planejamento. Mas não, acho que nunca vou me acostumar com isso…

Foi assim na última semana, quando a babá, da noite para o dia – literalmente – pediu demissão. Assim, sem mais nem menos, nos vimos (eu e meu marido) sozinhos com os bebês, sem ajuda de ninguém e não podendo deixar nossa rotina de trabalho de lado.

A solução: adiantar os planos e colocar os meninos na escola seis meses antes do previsto. E toca procurar a escola perfeita. Perfeita no valor – afinal são duas mensalidades ao mesmo tempo e agora –, perfeita no espaço – para mim, escola boa é aquela que criança volta suja para casa, se não tem terra embaixo na unha, é porque a criança não aproveitou o dia –, e perfeita na localização.

E o que eu descobri nesta semana de procura? Que as escolas particulares de São Paulo – principalmente da Zona Oeste da cidade – perderam a noção, cobrando um valor exorbitante de mensalidade. Para se ter uma ideia, o preço de partida da maioria das escolas é R$ 1.500, isso para deixar uma criança meio período (que varia de 4 a 5 horas), sem nenhum tipo de alimentação. Se você trabalha o dia todo e precisa que seu filho fique mais tempo na escola, terá que desembolsar, no mínimo, R$ 2.000. E se ainda quiser que ele coma a comida da escola – almoço, lanche e jantar –, vai precisar abrir a carteira mais um pouco, pelo menos uns R$ 500,00 (já chegamos nos R$2,5 mil, certo? Agora multiplica isso por dois…).

Mas calma, que piora. Porque todo esse gasto é para uma escola com uma área pequena, grama artificial, com brinquedos de plástico e um espaço para tomar sol, o “solário” – isso mesmo, como se as crianças vivessem em cárcere privado e tivessem hora certa para tomar sol :O

Como no meu imaginário uma escola infantil tinha que ter tanque de areia, terra, espaço para correr, brinquedos de madeira, enfim, uma escola como a que eu estudei quando criança, tive que procurar longe de casa. Ao que parece, em Perdizes, bairro que moro (na zona oeste de São Paulo), esses tipos de atributos são regalias e encarecem ainda mais esse negócio que chamamos de educação.

Passando para o outro lado da ponte, achamos uma escola muito legal, no bairro do Butantã. Logo que entrei na escola, fiquei muito empolgada. O local parece uma chácara, tem até animais que as crianças ajudam a cuidar! Além do espaço, fomos muito bem recebidos pelas funcionárias da escola e, mais do que isso, quando entramos lá com os pequenos, eles pularam de alegria, sem exagero!

Mas não, ela não é a escola perfeita. Isso, porque a escola perfeita não existe, sempre vai existir algo que deponha de alguma forma contra o local. Pode ser o valor, a localização ou mesmo o espaço – no nosso caso, a escola é longe de casa. No fim, acredito que o que importa mesmo é se nossos filhos estão felizes, seguros e bem cuidados, seja no meio da terra ou no chão de EVA.

Em tempo: estamos na lisa de espera da creche municipal. Enquano nnao somos chamados, precisamos rebolar por aí…

Agradecimentos especiais: Karina Padial e Camila Paier, que perderam um pouco de tempo me ajudando a achar a escola perfeita 🙂

Por que tive filhos prematuros

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(Foto: arquivo pessoal)

O esperado é que uma gestação dure 9 meses, ou as incompreensíveis 40 semanas (ok, na real pode variar entre 38 e 42 semanas).  Mas em alguns casos – 15 milhões espalhados pelo mundo, sendo cerca de 340 mil no Brasil, tudo isso por ano –, a gestação dura menos tempo que o esperado. Ou seja, o bebê nasce prematuro.

Em 2015, eu fiz parte desta estatística e não foi fácil. Mas, mais do que ver seu filho vir antes do tempo, e temer as sequelas que ele pode ter por decorrência disso, o difícil mesmo é ouvir as opiniões alheias sobre esse fato.

Eu sempre soube que eles seriam prematuros (somente 30% dos casos de nascimentos prematuros têm explicação científica e eu era um desses casos J) e, talvez por ingenuidade minha, eu gostava de explicar para as pessoas isso. Mas eu sofria muito com as opiniões, afinal, mais do que o clássico “é normal, gêmeos sempre nascem antes do tempo” (ATENÇÃO: isso não é uma regra), eu ouvi de muitas pessoas o quão errado e perigoso era antecipar o parto. E não era qualquer que pessoa: ouvi de médicos essa afirmação (uma vez, inclusive, em pleno natal, duas semanas antes dos meninos nascerem).

Agora, direi algo surpreendente: eu não pedi para que meus filhos fossem prematuros e sempre soube que eles poderiam sofrer com isso. Mas sabe, no meu caso, era isso ou uma consequência bastante definitiva: a morte dos meus bebês.

Minha gestação gemelar foi rara. Entre os médicos ela é chamada de gravidez gemelar monocoriônica/monoamniótica, ou seja, os bebês se desenvolvem em apenas uma placenta e uma bolsa (o mais normal é rolar uma placenta e duas bolsas). Apenas 1 a cada 30 ou 60 mil gestações de gêmeos ocorre dessa forma. Para entender a raridade do caso, é muito possível que um ginecologista obstetra passe a vida toda como médico sem nunca se deparar com uma paciente grávida nessa condição. Isso explica a ignorância de médicos sobre o tema e, mais ainda, das pessoas comuns.

Além de rara, a gravidez mono/mono é considerada de alto risco para os bebês. Como não há divisão entre os fetos, existe uma chance muito alta de ocorrer um entrelaçamento dos cordões umbilicais. E quando isso acontece, os bebês não conseguem receber mais alimentação e nem oxigênio. E aí, isso mesmo, eles podem morrer.

Esse risco existe durante toda a gestação, mas fica mais forte a partir da 32ª semana. Por isso, a indicação médica – isso de quem estuda seriamente esses casos – é de interromper a gravidez entre a 32ª e a 33ª semana, quando o risco de óbito dos bebês passa a ser maior dentro da barriga da mãe do que fora dela.

Ainda bem que no meu caso eu tive o melhor acompanhamento pré-natal possível. Tive o cuidado da dra. Taísa Catania, que mesmo nova, me recebeu e me atendeu com a maturidade que muitos médicos mais velhos não tiveram comigo. E que estudou muito sobre a minha gestação, me passando a segurança necessária para seguir o mais tranquila possível. Além de poder fazer exames com profissionais especializados em gestações gemelares.

Mas mesmo com todo o cuidado do mundo, quando Pedro e Gabriel nasceram, os cordões deles estavam entrelaçados, com mais de um nó. Só descobrimos isso no parto, porque apesar dos inúmeros ultrassons, não era mais possível ver com perfeição os cordões umbilicais.

Felizmente os nós estavam frouxos, mas é impossível dizer em que momento eles podiam apertar. Sim, eles podiam seguir assim até o final da gravidez. Mas também podiam ficar mais firmes do dia para noite. E sinceramente, eu não queria pagar para ver.

 

Fontes: Site da Unicef, Prematuridade.com, Ebc.com