Quem nos vê sorrindo…

Quem vê minhas redes sociais – os meninos brincando na neve, os novos aprendizados na escolinha, o inglês começando a fluir como se fosse a primeira língua deles, as brincadeiras nos parquinhos, os carinhos entre irmãos – não imagina o perrengue que foi – e ainda é na verdade – a vida de mãe e pai expatriado. Perder a rede de apoio que a gente tinha em São Paulo foi o primeiro choque de realidade que levei quando cheguei em Toronto e que, de verdade, me deu vontade de voltar correndo pro Brasil.

Me lembro o dia que, após postar uma coisa fofa dos meninos, o Bernardo me disse que eu deveria mostrar o outro lado, todos os perrengues que a gente estava vivendo com eles. Acho que dá pra imaginar, né?!Bom, se para mim, adulta, que quis fazer essa mudança e tinha uma noção dos desafios que ia enfrentar, foi muito difícil o começo em um novo país, toda a saudade da família, dos amigos, dos velhos hábitos e das regalias, pensem como foi para dois meninos de 3 anos, que não entendiam de fato o conceito de mudança, que adoravam o convívio dos amigos da escola, do prédio, que amavam passar as férias na casa dos avós, terem as suas vidas viradas de ponta cabeça, sem uma rotina definida, sem escola, sem amigos e apenas um pai e uma mãe para contar, um pai e uma mãe que também estavam tentando entender por onde começar a tentar colocar a nova vida em ordem.

zoo

A verdade é que durante quase 3 meses, apesar das fotos fofas nos parques, das risadas, dos beijos, dos vídeos de mãos dadas no balanço, a nossa vida estava um caos. Era muita gritaria, muitos momentos achando que a loucura ia tomar conta da situação – e na maioria dos casos ela tomava mesmo. Era muito tempo – ainda é –, deixando Pedro e Gabriel na frente da TV, porque era preciso limpar a casa, fazer comida, estudar, fazer trabalho da faculdade, terminar frila e, até tentar retomar um pouco da sanidade no escuro do quarto.

Foram muitos dias de choro. Nos dois primeiros meses, os meninos choravam todos os dias quando eu saia de casa, um choro profundo, que mostrava toda a insegurança que eles estavam sentido. Foram muitos dias de falta de controle. A insegurança de Pedro e Gabriel trouxe muito mais que lágrimas, trouxe também momentos de explosões de raiva e muita briga – até palmada rolou nesses tempos (mas isso é tema pra outro post). As coisas começaram a melhorar, confesso, quando decidimos colocar os dois na escola. Além dos meninos terem mais momentos de brincadeiras e diversão, eles passaram a ter uma rotina de verdade, algo que eu não conseguia manter com eles dentro de casa o tempo todo.

Hoje, quase seis meses depois da nossa chegada aqui em Toronto, as coisas estão bem melhores, mas ainda se encaixando. A sensação é que cada um de nós ainda está tentando se encontrar, mas o peso maior que sentíamos lá no comecinho, parece que está mais suave. Tudo isso para dizer que, a vida sempre parece muito mais bonita e fácil nas redes sociais, por isso, vale a pena a gente lembrar e escancarar que a realidade nem sempre passa por belos sorrisos, viagens maneiras ou uma vida fácil em um país distante. É como disse uma vez Cartola:

“Quem me vê sorrindo pensa que estou alegre
O meu sorriso é por consolação
Porque sei conter para ninguém ver
O pranto do meu coração”

One thought on “Quem nos vê sorrindo…

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  1. Força pra vocês! Certeza que a vida de Pedriel será impactada para sempre por esse sacrifício que vocês estão fazendo (um sacrifício privilegiado, mas ainda assim um sacrifício hehe). E espero que eles só lembrem das partes boas ❤

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